Black Founders Fund Google cria fundo de investimentos para empreendedores brasileiros negros

Black Founders Fund: Google cria fundo para investir em startups de brasileiros negros

O Google, uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, anunciou oficialmente a criação do Black Founders Fund, um fundo de R$5 milhões destinado a investimentos em startups criadas por empreendedores brasileiros que se declaram negros. A iniciativa é uma maneira de incentivar o empreendedorismo negro e trazer mais diversidade ao mercado de tecnologia – ainda predominantemente branco.

A ideia de criar um fundo do tipo foi de André Barrence, diretor do Google para Startups na América Latina. Barrence é filho de nordestinos que se estabeleceram na periferia de São Paulo e sabe que o mercado costuma ser implacável com os menos favorecidos, ainda que eles tenham boas ideias.

“Pela minha experiência, não só no Google, mas como negro que está atuando em tecnologia há algum tempo, o ponteiro que menos mexeu foi de negros e negras empreendedores”, explicou Barrence ao lançar o fundo. “Estamos colocando o fundo de pé agora, mas a nossa intenção é que outras organizações se juntem a nós no futuro”, conclui.

A seguir, você vai entender detalhes sobre a iniciativa e quem poderá receber dinheiro do Black Founders Fund.

Quem poderá receber dinheiro do Black Founders Fund? 

O Black Founders Fund é destinado a startups que estejam no estágio seed (estágio inicial de recebimento de investimentos). O criador da startup precisa ser brasileiro e negro. Startups que possuem mais de um fundador também podem concorrer, desde que pelo menos um dos criadores seja preto e ocupe um dos cargos de liderança.

Além disso, a empresa já precisa estar estruturada: ter um produto viável, saber quem é seu público e qual será o modelo de negócio. Por ser uma iniciativa voltada a startups, é fundamental que a empresa use a tecnologia como protagonista na solução oferecida.

O Google espera que o fundo beneficie cerca de 30 startups. Não há dados de como está dividido o mercado de startups brasileiras levando em conta o recorte racial e o volume de investimentos, mas podemos usar os dados americanos para entender o tamanho do problema: segundo levantamento da instituição financeira Silicon Valley Bank, apenas 1% de todo o dinheiro investido em startups nos EUA vai para empresas criadas por pessoas negras. É um abismo de diferença que o Google pretende começar a diminuir, já que o Black Founders Fund também foi lançado nos Estados Unidos.

Empresas com mais de um fundador também podem se inscrever no Black Founders Fund, desde que pelo menos um dos criadores seja preto e ocupe cargo de liderança.
Empresas com mais de um fundador também podem se inscrever no Black Founders Fund, desde que pelo menos um dos criadores seja preto e ocupe cargo de liderança.

Para selecionar as startups que receberão investimento, o Google usará quatro pilares:

  • Potencial de crescimento da startup e capacidade da solução impactar a vida dos brasileiros;
  • Visão dos fundadores, alinhamento de objetivos e complementaridade entre o time da startup;
  • Utilização de tecnologia como base da solução;
  • Estar buscando uma rodada de investimento seed para financiar o próximo estágio de desenvolvimento da startup.

Até o momento, três startups brasileiras já foram aprovadas para receber dinheiro do Black Founders Fund: a Afropolitan (marketplace focada em produtos e marcas de empreendedores negros), a Creators (plataforma destinada a profissionais de criatividade) e a TrazFavela (aplicativo de delivery focado em atender áreas periféricas).

Se você é um empreendedor negro, fundou uma startup e quer se candidatar ao fundo, basta acessar a página da iniciativa e inscrever a sua empresa

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